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Livre arbitrio


Livre arbitrio

  No esforço da evolução a liberdade é do homem, as leis são de Deus. O homem, usando dessa liberdade, traça seus rumos e Deus, marca seus limites, ilumina-lhes os caminhos e ampara-o nas suas quedas.
*   O Livre Arbítrio, propriamente não é uma lei cósmica mas uma outorga divina; uma faculdade que dá ao homem o direito de opinião própria e de decisão livre: faculdade de julgar por si mesmo, compreender por si mesmo, decidir por si mesmo.
*   É uma prova da imensa bondade de Deus e foi dada ao homem como um apoio para que adquira consciência e méritos próprios.
*   Se essa faculdade não existisse não haveria a consciência própria e consequentemente a individualidade espiritual.
*   E como a criação é perfeita, justa e sábia, não se conceberia jamais a existência de espíritos criados inertes e passivos, ignorantes e escravos, habitando mundos sonolentos e silenciosos. O livre arbítrio é pois um atestado de liberdade para o espírito, uma possibilidade de afirmar-sede caminhar por seus próprios pésde adquirir méritos para elevar-se a regiões espirituais superiores, de combater e de abrir por si mesmo seu caminho para as luzes e as verdades eternas.
*   Essa faculdade maravilhosa e benéfica, contudo, sofre condicionamentos, flutuações e impedimentos. Porque dentro do homem (devido à seu grau de maturidade, paixões e pensamentos), como fora dele, forças diferentes e diferentes circunstâncias, até mesmo físicas, podem alterar sua livre manifestação.
*   O livre arbítrio quando mal empregado, conduz a erros e gera consequências ruinosas que atentam contra as leis de Deus que visam sempre a paz, a harmonia e a justiça.
*   A bondade divina se necessário intervem no sentido de orientar, iluminar, intuir o indivíduo para maior acerto de suas decisões; quando também tenha esse fracassado na aplicação dos meios que lhe são próprios, e se desorienta ou desespera. Intervém ainda para contrariar decisões tomadas quando estas podemacarretar males de caráter geral, ou representam atentados às leis divinas.
*   A criação de um modo geral tem um destino global, predeterminado, como, também, determinada finalidade. O destino dos seres é aperfeiçoarem-se e colaborarem no aperfeiçoamento do mundo para que tudo, afinal, evolua e possa voltar para Deus, a fonte de onde surgimos. O destino global é sagrado mas, pelo livre arbítrio, o homem pode alterar o destino imediato. Nossos atos geram consequências e estas fatalmente se apresentam diante de nós no devido tempo. ( “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”).
*   A compreensão do Livre Arbítrio não deve dar ao homem uma consciência de poder, mas de segurança; um sentimento não de glória mas de esperança, nem tampouco de egolatria ou de orgulho, mas de responsabilidade e de prudência.
*   Pelo livre arbítrio consciente e inteligente, devemos vigiar nossos pensamentos e atos, nossos sentimentos e impulsos, e optar sempre por aquilo que, sendo útil ao nosso progresso espiritual, não representa, todavia, mal algum para outrem.
*   A Verdade é uma só, mas tem muitos aspectos e não se conhece todos, e os que conhecemos, fazêmo-lo segundo o nosso próprio conceito, e o nosso julgamento é sempre relativo, precário e sujeito a enganos.
*   Livre Arbítrio implica em responsabilidade para com Deus, com a humanidade e consigo mesmo.
*   Nossa responsabilidade não existe somente pelo mal que porventura pratiquemos, mas também pelo bem que deixamos de fazer.


                                                            Livro dos Espíritos    


Um caso

Aprendendo com os próprios erros

Ambrósio recebeu o assistente Rogério, que se fazia acompanhar de um visitante.
- Este é Dagoberto, velho amigo, pai de Mariana, que reencarnou sob a orientação de nossa casa.
O diretor da respeitável instituição socorrista, no plano espiritual, contemplou com simpatia o recém-chegado, percebendo sofrida ansiedade em seu olhar.
- Temos acompanhado a trajetória de Mariana, amparando-a na medida do possível. Conhecemos a extensão de seus problemas atuais.
- Sabe, então, que minha filha casou-se há duas semanas, em virtude de inesperada gravidez... Estou muito preocupado, pois ela tem apenas dezessete anos e o marido, Leo, 20. Ambos abandonaram os estudos por força da nova situação, assumindo atividades profissionais. Embora a aparente felicidade, sinto-os apreensivos e perturbados. Para minha tranquilidade venho pedir-lhe um favor...
Observando que o amigo vacilava, Rogério adiantou-se:
- Dagoberto gostaria de examinar o planejamento reencarnatório de Mariana, a fim de verificar se sua situação atual faz parte das experiências que programou.
Considerando que a solicitação não se inspirava em mera curiosidade, partindo do coração angustiado de um pai, e que a consulta poderia reservar valores educativos , Ambrósio solicitou a uma auxiliar que providenciasse o dossiê da jovem.
Em breves momentos os três espíritos podiam tomar comtato com os eventos mais significativos da experiência reencarnatória de Mariana, relacionados com nascimento, família, estrutura física, detendo-se em alguns dados reveladores:
Profissão: Médica
Casamento: Por volta dos trinta anos encontraria Rubens, companheiro de pretéritas existências, que a antecedera em dez anos na experiência física.
Filhos: Receberia três espíritos, Magda, Flávia e Alberto.
Objetivos principais da reencarnação: Consolidação de ligações afetivas, encaminhamento dos filhos, desenvolvimento de tarefas em favor da saúde humana.
Tempo aproximado de vida: Setenta anos.
Dagoberto não se conteve:
- Meu Deus! Estamos diante de um desvio!
Ambrósio confirmou:
- Sem dúvida. Mariana casou-se com o homem errado, na hora errada, pelo motivo errado.
- E o filho?
- Não é nenhum daqueles que deveriam acompanhá-la. Trata-se de entidade sofredora, ligada ao psiquismo do marido. O envolvimento passional favoreceu o automatismo reencarnatório.
- E agora?
- Bem, a partir do momento em que se afastou do planejamento feito, é difícil prever o futuro. Podemos, entretanto, adiantar algo a respeito. Mariana não será feliz no casamento. Passados os tempos de euforia sexual, experimentará indefinível angústia, sentindo que algo saiu errado em sua vida. A vocação para a Medicina a fará sentir-se lesada em suas aspirações. O filho não lhe satisfará os anseios maternos. No tempo previsto o companheiro que lhe está destinado aparecerá em seu caminho, impondo-lhe a amargura de um amor impossível. Se ceder às solicitações do coração, assumirá novos compromissos cármicos relacionados com a infidelidade e a deserção dos deveres conjugais.
- E os espíritos que devem renascer em seu lar?
- Dificilmente ela se disporá a ter mais filhos, em face das desilisões conjugais. De qualquer forma, o quadro agora é diferente. O planejamento de todo o grupo será refeito.
- Minha pobre filha! Não é um preço muito alto para simples engano sentimental?
- Ambrósio suspirou:
- É o preço da liberdade, meu caro. O desenvolvimento cultural da socieddade humana implica na expansão do livre arbítrio. As pessoas hoje são mais livres para decidirem suas próprias vidas. Ocorre que raros dão-se ao trabalho de avaliar as consequências de seus atos, cultivando comedimento.
- Mariana perdeu, então, a existência?
- Absolutamente. Embora o desvio em que se envolveu, ela colherá proveito. Aprenderá quanto à importância da reflexão, habilitando-se, em experiências futuras, a cumprir seus compromissos sem desvios. As frustações do presente serão, em última instância, uma vacina contra equívocos semelhantes...
- Aprenderá com os próprios erros...
- Exatamente. E os sofrimentos decorrentes a tornarão mais receptiva à ajuda espiritual. Como seu pai você terá maior acesso ao seu coração, amparando-a.
Despedindo-se do visitante, Ambrósio abraçou-o acentuando:
- Não se deixe dominar pelo desalento. Sua filha precisa de você mais do que nunca. E lembre-se: uma existência na Terra é apenas um elo na imensa cadeia de reencarnações, um segundo na eternidade. Tudo passa, menos o Reino de Deus, a meta suprema. Mariana está a caminho, como todos nós.


Na sua imensa sabedoria o Criador harmoniza os acontecimentos em favor de nosso aprendizado, nos caminhos da Evolução.
Reprogramações existenciais são realizadas vezes sem conta, na medida em que, fazendo mau uso do livre-arbítrio, comprometemo-nos em desvios do caminho, até que nos disponhamos a cumprir a programação maior, adequando-nos às Leis Divinas.
Então desfrutaremos de liberdade irrestrita para fazer exatamente o que Deus espera que façamos.




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